quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Excertos de arte não escondem a ruína.
Gloriosamente só. A palavra vem e finge articuladamente, nos espaços vagos que a isso a forçam. Facilitismos, até à hora da verdade.
"Vá, e agora?"
Não pago com o espírito. Sou silente.

Vou portanto às putas.

Aos poucos se polvilha assim a possibilidade, e a tão importante sensação de continuidade. Aos poucos se firma a escassez de recursos que a solidão traz e impõe ao esforço. Aos poucos é mais nítido e seco o quadro do dia-a-dia. Nele figura um rapaz de pincel na mão, estendido num sofá, sem técnica para dar forma aos edifícios, visíveis somente os rasos alicerces da imaginação.
Pago para que algum esboço de contornos anime a paisagem de escombros. Peço tinta emprestada à proximidade. E por vezes ela existe para que sobressaia novo estímulo na construção. E por vezes, é bela a pedra de memória que se ajunta às outras pelo quadro do que passa. Como em toda a interacção.

E momentos sucedem-se a momentos. Entorno pela escrita traços e côres que são já incontornáveis, ao longo dos meses e anos. Evoco assim, como que brindando, aquelas que se dispõem à demanda por Eros, as que se aliam ao artista em moldes de almejar, aquelas que lhes inspiram o imortal sentido de divindade de que é feito o esplendor.

Às putas!
(tchin tchin)

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Enquanto Conan procede à cremação do corpo da sua amada, Subotai assiste, deixando rolar algumas lágrimas. Akiro, o mago, intriga-se então:

- "Why are you crying?"
- "He is Conan... Cimerian... He won't cry. So I cry for him."
Trespassando a inspiração, lâminas acordadas. Severas de impulso... Assim é quando se desce a rampa da virtude, o âmago da multiplicidade, apertando junto ao peito tudo o que é insaciável.

Meus amores, florescei!... As tropas pilharão esta terra, cálidas, como o Sol Nascente que a assola. Mais que tudo, mais que a Morte, hoje é o Ser, a Invasão! Letras espreitando por papiros de paisagem, procurando despojar de si as tocas, agitando-se borbulhando por este paraíso fétido. Engodos do que é, forçai a passagem pela dureza física dos portais. Desentalai-vos do círculo, atentai contra a mediocricidade, toda e qualquer!! É nascer, rebentar as águas, e transbordar portentosos legados de ânsia guerreira no primeiro chôro de uma vida.

Somos nós, portadores da palpitação; desencadeamos o Apocalipse. Não há mais - é a vida, a vida, A VIDAAAAA. E bradaremos a vitória, com um urro.

Os modernos e a popularidade (soneto sociológico)

Contemporâneos doutrinavam lantejoulas
onde antes era o clima, a aragem;
cepticismos decalcavam por argolas
o eco e o aroma da vantagem.

E a loucura intimidada profanáveis
exultando a malícia dessas vestes
de que os anjos caídos enfeitáveis,
luciferianas horas e agrestes.

O público discorre, sintomático;
obstando à luz visual sabor
uma batuta sem maestro - plateia.

Diploma de um sonho catedrático,
egocêntrico cego esplendor;
ferramenta e ego - ser sereia.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Tremo, no topo da corda... os pés enroscando-se ao se aperceberem da falta de aderência. Pequenos passos de urgência servem apenas para confirmar a desilusão. Não há pano de fundo. Esforço-me, mas só pontualmente tons de verde obscuro parecem distrair o vácuo cénico de seu absoluto. É nulidade de que me preencho, por esta grande corda pendente sobre o abismo. Não se vê quem pega nela do outro lado, mas dá a sensação que se esquece disso indiferente, quando ela abana à brusquidão delineada por movimentos conceptuais, numa física distante e outra. Insatisfatório ao longo da vertigem, o passo adquirindo sensações de queda, mais que preconizando. Diáriamente... os passos de ninguém..